quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Clarice

Em toda minha tolice,
a dor maior é a timidez.
Nunca sei da minha vez,
nesta síndrome de crendice.

Veja quanta maluquice,
para descrever tua beleza.
Pois, quando está na mesa,
tu bem representa ser Alice.

Ainda que se medisse,
a minha real capacidade,
não se descobriria verdade,
no que por ti eu não sentisse.

Engana-me a meninice
que há no teu ar de mulher.
Tanto quanto, se eu te disser
que é falsa esta minha velhice.

Não chegarei à pieguice,
nos versos que planto agora,
mas quero colher, sem demora,
alimento para esta minha burrice.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Utópico do Amor

Eu passaria
a vida a dizer,
do quanto amaria,
mais que amor a fazer.

Eu bem poderia
chegar a responder,
através de uma poesia,
o que do meu amor vai ser.

Talvez, algum dia,
ele venha se arrefecer.
Por ora, ele é a alquimia,
que faz dourado o meu viver.

Diferente da magia,
ninguém sabe esconder
o segredo de uma real alegria
que a pessoa não consegue conter.

Sem amar, eu não teria
justificativa a esse meu saber.
Se a ciência descobrir maior utopia,
a essa realidade, sempre irei me prender.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ser ou não Ter

Que seja cantiga,
antes de cantada.
Que seja designa,
antes de designada.

Que seja maligna,
antes de amaldiçoada.
Que seja fadiga,
antes de fadigada.

Que seja briga,
antes de obrigada.
Que seja digna,
antes de indignada.

Que seja intriga,
antes de intrigada.
Que seja benigna,
antes de beneficiada.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Do Amor à Poesia

A mão vazia
sobre teu peito,
ainda sob o efeito
do pulsar da poesia.

O amor emergia
do nosso mergulho,
no silencioso barulho,
onde se realiza a utopia.

A vida só se refazia,
nos sorrisos do depois,
em que a noite, a nós dois,
se transformava em claro dia.

O ardor da nossa alegria,
incalculável pelas pulsações,
mais descompassava os corações
do que qualquer uma outra viva fantasia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

À Leitora

Passeava minha vida,
a tatear nessa escuridão.
Ela se encontrava perdida
e te encontrou, minha paixão.

Agora, feliz eu te sigo.
Sempre penso em te falar,
que é pouco o que eu te digo,
como quem não soubesse parar.

O que alimenta meu dia,
em teu sorriso eu posso ver.
É a inspiração ao que a poesia,
em forma de amor, queira te dizer.

Nesse teu olhar, há brilho.
Como, no final do túnel, há luz.
A me iluminar o caminho que trilho,
teus olhos são a energia que me conduz.

À tua inteligência e vitalidade,
me tatuo em poema a flor da pele.
Diante tua beleza, me sinto à vontade.
Sou livro aberto, ao que tua leitura revele.

sábado, 13 de novembro de 2010

Poética Balada

Era luz.
Era alto som.
Ao que me propus,
era curtir tudo de bom.

Fechei o saber.
Guardei a poesia.
O poeta saiu pra viver,
uma outra prática da teoria.

A lua, inebriada,
se fez nova esperança
e se insinuou na madrugada,
a seduzir o sol com a sua dança.

domingo, 7 de novembro de 2010

De Ida e Volta

Fui vento a despentear
a copa da árvore, em flor.
Fui abelha que saiu a colher
a matéria prima do seu sabor.

Fui a pomba a zelar
os seus filhotes no ninho.
Fui o namoro sonoro,
no canto do canarinho.

Fui longínquo horizonte,
além da tela do computador.
Fiz uma viagem no tempo,
com o pensamento a favor.

Voltei a ser caneta na mão.
A tinta se realizou no papel.
Vivi a liberdade da linha
a se desvencilhar do carretel.

Redescobri a música
que há no balbuciar da criança.
Ela improvisa os seus carinhos,
ao distribuir beijos, qual esperança.